Desbravando The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered. Uma Review

The Elder Scrolls IV: Oblivion é um dos jogos favoritos dos fãs da franquia The Elder Scrolls. Ainda que Skyrim tenha ascendido ao posto de mais famoso, jogar Oblivion Remastered depois de Skyrim é uma forma fácil de entender o motivo de muitos acharem Oblivion um RPG superior.


Uma aventura orgânica

Da narrativa à gameplay, tudo flui muito organicamente em Oblivion. Logo de início, o seu personagem já está no meio de uma trama de proporções épicas, que envolve um rei, seu filho e o destino do mundo, que corre o risco de ser invadido e destruído pelo reinado do Oblivion, uma outra dimensão que dá nome ao jogo.

A linha principal de missões é bastante divertida, com personagens cativantes. Particularmente, gosto de haver uma seita envolvida na trama, que traz um ar mais macabro ao jogo e até garante uns "sustos" pelo caminho, quando alguém da dita seita tenta lhe atacar de surpresa quando você menos espera.

O sucessor e filho do rei é um personagem cativante, que passeia entre o medo e a coragem ao longo da trama. De crítica, acho que o personagem poderia ter sido mais ativo na história, já que na maior parte do tempo, ele é apenas um "pesquisador".

Ainda dentro do atributo orgânico do jogo, mesmo personagens passageiros da aventura podem ter suas próprias histórias, como um conde que procurei para ajudar numa batalha da linha principal e descobri que o mesmo era um vampiro. Nossos caminhos se cruzaram de novo, quando, por acidente, me transformei num vampiro e precisava de uma cura.

O evento citado do vampirismo é um excelente exemplo de como este mundo é tão real e imersivo. Isso acontece também com o sistema de níveis e habilidades. O jogador evolui suas habilidades praticando e fazendo ações que melhoram tal atributo. Exemplo: como mago, utilizei muitas magias de destruição, aumentando consideravelmente minha perícia, me permitindo desbloquear magias destrutivas extremamente poderosas que outro jogador não desbloquearia se estivesse resolvendo todos os seus embates na espada.


É extremamente especial poder investir horas do seu tempo em magias e ainda assim não precisar aprender a desbloquear trancas com gazuas, já que existe uma magia para abrir trancas! Isso permite que o jogador possa tomar suas decisões de evolução sem se preocupar em ter que aprender de tudo um pouco.

O belo mundo de Cyrodiil

Oblivion Remastered faz um trabalho fenomenal em atualizar este rico mundo com ótimos visuais. As cores saltam na tela e a iluminação do jogo me encantou bastante. A modelagem dos personagens está ótima e não deve em nada aos gráficos da atual geração.

A modelagem de armaduras, espadas, machados, cajados, etc. é incrível. A movimentação do personagem foi melhorada nesta versão e, em primeira pessoa, senti o jogo bastante competente com as animações. Como usuário de escudo, era legal ver os inimigos sendo atordoados ao bater no meu escudo.

Por mais que acreditemos que, por padrão, todo mundo aberto seja bonito, aqui é essencial que a direção de arte trabalhe bem os cenários, tanto externos quanto internos, pois é primeiro a visão desse mundo que nos faz sair do nosso caminho para descobrir missões secundárias, itens secretos etc. Ver uma estátua ao longe, sozinha numa planície abandonada, é um chamariz perfeito para descobrir uma nova aventura e o jogo brilha demais nisso.

Missões secundárias

Já é de conhecimento geral que a Bethesda sabe trabalhar muito bem sua escrita nas missões secundárias. Jogar Oblivion Remastered é como viver uma pequena nova vida, em que a cada passo você encontra algo novo para fazer ou resolver, como tentar descobrir se um vendedor vende itens ilegais, ou descobrir se um aldeão está sendo perseguido pelos seus vizinhos ou então tentar descobrir uma cura impossível para o vampirismo que lhe foi afligido na calada da noite enquanto você dormia. Estas e muitas outras são histórias opcionais que você pode encontrar em Cyrodiil e resolver do seu jeito.

Os males

Nem tudo são rosas. Ao final do jogo, ele derrapa consideravelmente na construção de suas missões. Na tentativa de criar momentos épicos que se encaixem no que deveria ser o clímax do jogo, o que encontramos são batalhas confusas com vários aliados e inimigos em que é quase impossível não acertar seus companheiros. Inclusive, numa batalha importante da trama, eu matei um companheiro na confusão de tentar acertar um inimigo. A missão, que deveria terminar com meu personagem sendo ovacionado, acabou comigo sendo preso por assassinato, totalmente anticlimático.

Infelizmente, os portais Oblivions que tanto me fascinaram quando apareceram pela primeira vez, se tornam repetitivos e cansativos, com pouca ou nenhuma variedade de inimigos ou desafios. Poderiam ter aproveitado melhor este aspecto do jogo com puzzles, chefes diferenciados etc.

O jogo possui tantos sistemas, como alquimia, concerto de equipamento, recarga de armas mágicas, que eventualmente o jogador pode ficar confuso ou até mesmo zerar o jogo sem saber como alguns desses sistemas funcionam. Não é algo 100% ruim, mas que pode incomodar alguns.

Conclusão

The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered é uma grata surpresa que engrandece o catálogo de jogos da Xbox e do Gamepass. Ele também resgata um grande jogo para que novos fãs (provavelmente vindos de Skyrim) possam apreciar a história fantástica de uma das regiões da famosa Tamriel. Existem alguns deslizes que poderiam ter sido atualizados nesta versão que podem incomodar bastante na reta final do jogo, mas não são suficientes para apagar a magia ancestral de Cyrodiil.

Nota: 8.8 de 10.0 vezes que apelei com magias de destruição.

Esta review foi feita com uma chave gentilmente cedida pela equipe da Bethesda, a qual agradecemos.

Jogo disponível para Xbox Series, PS5 e PCs.

Escrito pelo andarilho Júlio Santos.

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