Desbravando Cronos: The New Dawn - Uma Review
Cronos: The New Dawn é um terror de sobrevivência com temática de ficção científica, desenvolvido e publicado pela Bloober Team, mesma desenvolvedora do aclamado Silent Hill 2 Remake (review aqui).
O jogo se passa na Polônia dos anos 80, mesclando um visual arquitetônico brutalista com um visual futurista e pós-apocalíptico. A protagonista do jogo é a viajante, uma agente do misterioso Coletivo. Ela recebe a missão de extrair pessoas importantes no passado, no período em que a mudança (uma doença que transforma pessoas em monstros grotescos) estava se espalhando rapidamente, tendo que fazer viagens no tempo para concluir suas missões. Mas como funciona a extração? Para que ela serve? Qual é o objetivo do Coletivo? Essas e outras perguntas permeiam toda a trama de Cronos: The New Dawn.
Uma trama cheia de mistérios
Um dos pontos fortes do jogo é o mistério que ele propõe ao jogador. Já no início da aventura, nós devemos responder a um questionário para o qual não fazemos ideia para que serve ou o que responder. De alguma forma, a viajante está tão perdida quanto nós, o que cria um vínculo claro entre jogador e personagem. A decisão é muito acertada, pois evoca a ideia do protagonista como página branca, mas subverte isto ao construir uma personagem que aos poucos vai demonstrando seus próprios sentimentos. Aliás, as nuances de sentimento da protagonista são belamente representadas pelo excelente trabalho de dublagem, que mostra de início uma voz despida de sentimentos, e posteriormente apresenta preocupação e empatia.
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| A viajante se conecta até com gatinhos, que deixam itens para o jogador. |
Os documentos encontrados no jogo nos dão um panorama político interessante sobre o mundo do jogo. Além disto, temos uma noção de como a pandemia se espalhou na região e descobrimos como o governo lidou com isso. Procurar documentos se provou recompensador para mim.
A narrativa do jogo utiliza, além dos documentos, diálogos opcionais com um NPC importante. Mas confesso que achei as conversas com ele importantes, mas lentas demais. Os viajantes possuem um jeito meio pausado de falar, então uma conversa entre dois viajantes demora duas vezes mais do que se eles não falassem tão lento. Pode ser um detalhe bobo, mas me incomodou, afinal, o jogo é tão frenético e dinâmico nas batalhas, que algumas cenas do jogo poderiam ter se beneficiado de diálogos mais dinâmicos também.
Jogabilidade e ação na medida
A jogabilidade do jogo é fenomenal. Existe uma urgência no combate que o torna frenético e estratégico. Os inimigos, chamados de órfãos, são capazes de fundir-se com outros corpos mortos, então, quando você mata um, é preciso impedir que ele se funda com aquele corpo, tornando-se mais forte e absorvendo habilidades daquele que morreu. E caso você não impeça essa fusão, as consequências são bastante punitivas, já que eles se tornam muito mais difíceis de matar.
Saber o momento de carregar os tiros para causar mais danos ou usar o tiro simples passa a ser uma tarefa estratégica recompensadora. As armas possuem bastante impacto e alto grau de destruição. Dito isto, senti falta de uma presença maior das features do Dulasense no PS5.
O jogo é relativamente difícil, com poucos recursos e muitos inimigos, o que para mim casou muito com a proposta do jogo e me manteve alerta em combate para evitar desperdício de balas e matar os inimigos o mais rápido possível. É possível queimar os corpos dos inimigos, mas o queimador é um item escasso, que deve ser usado com sabedoria.
Os chefes poderiam ser mais criativos visualmente, mas são divertidos de se enfrentar e derrotar, com uma curva de dificuldade que considero aceitável e prazerosa. Aliás, a variedade de inimigos do jogo não me incomodou muito, mas numa possível continuação, gostaria de ver mais criatividade na hora de meter medo no jogador.
Mas se praticamente tudo no combate me agrada, o mesmo não posso dizer do nosso arsenal. Não me entenda mal, elas cumprem seu papel, mas senti falta de mais criatividade com o visual das armas e os tiros delas, afinal, estamos jogando um jogo com viagens no tempo e criaturas tenebrosas, o jogo poderia ter armas mais criativas, similar ao que Dead Space faz. Mas isto é um detalhe que não deve desagradar a todos.
Trilha sonora e direção de arte
A trilha sonora é fenomenal, trazendo uma vibe de ficção científica de filmes dos anos 80, muito similar ao que Stranger Things faz. Em momentos específicos de exploração, a trilha sonora atrelada ao cenário apocalíptico é hipnotizante.
Os gráficos do jogo são belíssimos e acompanham muito bem a direção de arte do jogo. Os cenários são variados e típicos de jogos de terror: metalúrgica, metrôs, hospital etc. Nada é necessariamente inovador, mas o jogo consegue entregar tudo isto quase que como uma homenagem ao gênero de survival horror. Existem inspirações de Resident Evil, Dead Space, Silent Hill, simplesmente um prato cheio para fãs destes jogos.
Eu joguei o jogo com fones de ouvido e a experiência é assustadora, os sons dos inimigos ecoam pelos corredores enquanto alguns deles ficam fora do nosso campo de visão. É ao mesmo tempo um alerta ao jogador, mas também uma lembrança constante do inferno que temos que enfrentar a cada porta aberta.
Conclusão
Cronos: The New Dawn é um jogo com um combate extremamente satisfatório, uma trama interessante e uma boa protagonista. Terminei o jogo com horas de campanha, explorando bem os cenários. É uma experiência essencial para fãs do gênero de terror e uma das mais divertidas do ano.
Nota: 9.0 de 10.0 vezes que eu respirei aliviado ao fim de um combate.
Agradecemos à Bloober Team e à equipe da TheoGames pela chave cedida para a produção da review.
Jogo disponível para PS5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch 2 e PCs.
Escrito pelo andarilho Júlio Santos.





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